Fichamento - Lições de Arquitetura
O livro "Lições de Arquitetura" de Hertzberger traz diversos conceitos arquitetônicos e exemplifica-os. Um tópico muito abordado é a relação público×privado que podem funcionar como uma releitura de "coletivo" e "individual", respectivamente. Dentro desse contexto, ele explora as relações entra espaços "mais privados" que outros, espaços de transição, espaços que causam uma espécie de sensação de privatização, quando na verdade são públicos, entre outros. Esse aspecto foi explorado no Safari quando observamos os níveis do privado na Escola de Arquitetura, como as salas "de porta azul", que permanecem trancadas fora do horário de aula, mais privadas, uma delas tendo até senha na porta. O DA que, apesar de ser público, tem uma certa intimidade que restringe os frequentadores. E, por fim, a praça externa, que é completamente pública e utilizada por pessoas de dentro e de fora da faculdade. Os intervalos, ou seja, espaços de transição entre o público e o privado, também foram abordados na obra e no Safari. Um exemplo é o Museu do Aleijadinho, que é público, mas não costuma receber visitas de fora, e que é um local de transição, uma passagem para o corredor das salas, consideradas mais privadas.
Outro aspecto perceptível no Safari é, no mapa do trajeto realizado, a forma de "grelha" da cidade de Belo Horizonte. Esse conceito é usado pelo autor, que é holandês, o que mostra que esse ordenamento urbano é e foi usado em diversos países pelo mundo, antes e depois do Brasil aplicá-lo.
No livro, o autor indica que o aumento do tráfego e a prioridade dada aos automóveis no planejamento das cidades faz com que a rua se torne, cada vez mais, um local perigoso, evitado pelas pessoas. Isso é facilmente observado na capital mineira, uma vez que o trânsito é considerado o fator mais estressante da cidade, de forma unânime entre os moradores, sejam eles transeuntes ou motoristas. Entretanto, há áreas da cidade e designs de edifícios que buscam incentivar as interações entre as pessoas fora do ambiente privado, o que funciona, mas não em todos os lugares. Bancos fora dos prédios, áreas que apenas permitem pessoas a pé (como a Praça da Savassi), locais de convivência como praças e pátios refletem esse incentivo. Apesar da presença da chamada "arquitetura hostil", que impede o uso do espaço público por moradores de rua ou pessoas marginalizadas no geral, percebe-se a tentativa de estabelecer locais de convivência, ainda que, as vezes, somente para classes específicas.

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