Fichamento: Teoria do Não-Objeto
Entende-se, pelo conceito de não-objeto desenvolvido por Ferreira Gullar, não o oposto de um objeto, mas sim uma estrutura que não tenha sentido figurado, que não busque representar uma imagem conhecida, que não seja identificável no cotidiano humano. O não objeto propõe experiências sensoriais, estímulo dos cinco sentidos, simplesmente uma aparência indeterminada. Para isso, é necessário que o não-objeto em questão seja interativo, possa ser modificado, tocado, talvez ouvido ou sentido pelo olfato ou pelo tato, e é imperativo que ele dialogue com o observador de alguma forma. É exatamente isso que o diferencia de um objeto “normal”, sua realidade mutável e, mais ainda, a sua concepção abstrata, sem um resultado pré-determinado, sem “certo e errado”, sem um objetivo final. O não-objeto, diferentemente do objeto, não tem função que o caracterize. Sua caracterização está, então, não em sua função, mas em seus aspectos visuais: cores, transparência e reflexão, em seus aspectos táteis: texturas e relevos, e em outros detalhes como os odores ele exala ou os sons que ele emite ao ser explorado.
Como mencionado, o seu conceito foi desenvolvido pelo artista Ferreira Gullar, no contexto da arte neo-concretista, mas diversos outros artistas exploraram a abstração na arte moderna antes e depois da Teoria do Não-Objeto, com outras denominações, mas com a mesma ideia de interatividade, imersão e abstração, e com a mesma proposta de experiência sensorial e, de certa forma, lúdica, aberta a diferentes interpretações.

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